terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Amor e Loucura em A história de Adèle H, 1975. François Truffaut

Amor e Loucura em A história de Adèle H. 

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Em 1975 o cineasta francês François Truffaut recebeu de bom grado a batuta para dirigir a versão para cinema, da biografia de Adèle Hugo, francesa, quinta filha do grande escritor francês Victor Hugo . Em ‘A História de Adèle H’, a atriz, também francesa, Isabelle Adjani, interpreta Adèle. O diretor é também um dos roteiristas, homem passional, que sempre apreciou histórias de amor trágicas. Com precisão e recursos de muita sombra e ambientes solitários, às vezes claustrofóbicos, o filme expressa a trajetória de uma jovem que gradativamente vai mergulhando sua na paixão obsessiva por um oficial francês que passou a ignorá-la. Sua baixa auto estima a conduziu a atitudes extremas, chegando a expor-se ao ridículo, tentando sempre preencher com este amor a sensação de vazio. Os casos de amor obsessivo se distinguem pela sensação de que a pessoa só será feliz e completa se alcançar o objeto idealizado, colocando-o num pedestal, crendo que a vida não vale a pena sem aquela emoção. A obsessão, para estas pessoas, é facilmente confundida com amor e a dedicação e entendem também, que o objeto do seu amor deveria apreciar e devolver os mesmos sentimentos. Muitas vezes, quem se torna obsessivo não percebe, tendo a ideia de que nada está errado, apenas ama demais e vale tudo para alcançar o objeto amado. Se seus esforços não são aceitos, sentem-se como vítimas de alguém que não as sabe apreciar, entendendo-se nobres sofredoras de um amor impossível, continuam a insistir mesmo diante de muitas recusas, causando para si e para o outro situações constrangedoras. Na obra, é notável na presença em cena dos dois personagens, a antítese que os dois representam. Uma, totalmente entregue ao outro, anulando-se, destituindo a si mesma de escolhas e, portanto, destituída de poder, ao passo que o outro percorre a trilha que mais lhe agrada, mesmo sendo de moral duvidosa. Ele coloca seus interesses em primeiro lugar, sempre escolhendo o que vai lhe trazer mais vantagens, sendo ele assim, um complemento fatal à personalidade obsessiva dela.

Texto de: Cecília Motta.  

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