terça-feira, 8 de janeiro de 2019
Amor e Loucura em Camille Claudel, 1988
Nascida na França, Camille Claudel (1864 - 1943) demonstrou sua posição de vanguarda, escolhendo uma profissão incomum entre as poucas mulheres que trabalhavam na época, a escultura. Talentosa e obstinada, teve como professor ninguém menos que Auguste Rodin e não demorou para que se apaixonassem. Bem retratada no filme, a supremacia masculina da época impunha conduta puritana às mulheres, com graves punições para as que não coubessem nos moldes. Sanatórios eram a escolha das famílias para esconder da sociedade qualquer mulher alcoólatra, ou de conduta sexual considerada ‘inapropriada’. As imposições de comportamento nada importavam para algumas pessoas, especialmente as do meio artístico. A bela e jovem pupila alimentava a vaidade do mentor famoso, com admiração e magníficas obras saídas de suas orientações, assim como o romance proibido na época, pois Rodin era casado, acrescentaram ainda mais fama à ele ao mesmo tempo em que a sociedade a execrava. Os modos possessivos e obstinados dela eram sinais de sua obsessão. O objeto amado aqui, não parece ter ficado fora de alcance por imposições sociais e sim pela própria vontade, agravando na artista, o estado de obsessão. A inacessibilidade ao objeto amado é fator propulsor na obsessões amorosas. Rejeitado, o obsessivo vê-se como um mártir, tomando ações sado masoquistas que tem como objetivo reaver para si o alvo da obsessão a qualquer custo. No caso retratado, ao afastar-se de Rodin, ela o observa sem ser vista, comportamento muito comum nos obsessivos de qualquer época, que ganhou um apelido na modernidade, ‘stalkear’, um verbo não existe na nossa língua e deriva de ‘stalking’ em inglês, que significa perseguir, observar obsessivamente; muito praticado nas redes sociais atualmente. A obsessão tem como uma de suas características a perda de autocrítica, ausência de autocontrole, o que leva o obsessivo em muitos casos, a desenvolver hábitos nocivos, como vícios, falta de higiene pessoal, isolamentos, ou aparições públicas vexatórias.Naquela época poucos sanatórios possuíam profissionais capacitados para o tratamento obviamente necessário.
Texto de: Cecília Motta.
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